“Poeta da saudade, ó meu poeta qu ́rido Que a morte arrebatou em seu sorrir fatal, Ao escrever o Só pensaste enternecido Que era o mais triste livro deste Portugal, Pensaste nos qu...
— Florbela Espanca
A Anto!
Poeta da saudade, ó meu poeta qu ́rido
Que a morte arrebatou em seu sorrir fatal,
Ao escrever o Só pensaste enternecido
Que era o mais triste livro deste Portugal,
Pensaste nos que liam esse teu missal,
Tua bíblia de dor, teu chorar sentido
Temeste que esse altar pudesse fazer mal
Aos que comungam nele a soluçar contigo!
Ó Anto! Eu adoro os teus estranhos versos,
Soluços que eu uni e que senti dispersos
Por todo o livro triste! Achei teu coração...
Amo-te como não te quis nunca ninguém,
Como se eu fosse, ó Anto, a tua própria mãe
Beijando-te já frio no fundo do caixão!
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"A Anto!" é um poema de Florbela Espanca que expressa uma profunda admiração e amor pelo poeta António Nobre, que faleceu prematuramente. Através de versos carregados de saudade e tristeza, a autora revela a sua devoção pelos versos melancólicos e intenso
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