Poema
An image with the following quote Maldito invento dum baronete
Que dos cruzados neto não é.
É mais terrível que o voltarete,
Que a vermelhinha, que o lasquinet.

Dá mais partido para o banqueiro
Do que a roleta, que o dá copioso,
Haver não pode, no mundo inteiro,
Jogo mais certo, mais engenhoso.

Praga maldita, praga danada,
Maior que todas as pragas do Egito.
Que esta cidade traz devastada,
Triste e delgada, como um palito.

Pobre cidade, pacata outrora
Que só jogava o burro, a bisca,
E mais a víspora; hoje a devora
A jogatina, que tudo arrisca.

Joga o velho, joga o moço,
Joga o menino, a menina,
Joga a parda do caroço,
Joga a dama papa-fina,
Joga o Saco-do-Alferes
E o fidalgo Botafogo,
Jogam homens e mulheres,
Todos jogam; tudo é jogo!

Joga-se à luz meridiana,
À do gás e da candeia,
Joga-se toda a semana
Sem receio da cadeia.
Joga-se tudo bem descarado,
Roleta, solo, truco, manilha,
Marimbo, pocker, roleta, dado,
E o sete-e-meio e a rapa-pilha.

Porém dos jogos, mil e quinhentos,
Que nos assolam com seus caprichos,
Figura impávida, aos quatro ventos,
O pavoroso jogo dos bichos.

Se tem virtudes, altas e belas,
Dizer bem pode muitos magnatas,
Alvins, Ribeiros e Cabanelas,
E outros ilustres bicharocratas.

Em balde a nossa fina polícia,
Que tem às vezes um bom capricho,
Emprega força, tino e malícia
Não lhe é possível "matar o bicho".

In: BILAC, Olavo. Bom humor. Org. Eloy Pontes. Rio de Janeiro: Casa Mandarino, 1940*. p.63-65. (Vida literária

Maldito invento dum baronete Que dos cruzados neto não é. É mais terrível que o voltarete, Que a vermelhinha, que o lasquinet. Dá mais partido para o banqueiro Do que a roleta, qu...

— Olavo Bilac

A Jogatina

Maldito invento dum baronete Que dos cruzados neto não é. É mais terrível que o voltarete, Que a vermelhinha, que o lasquinet. Dá mais partido para o banqueiro Do que a roleta, que o dá copioso, Haver não pode, no mundo inteiro, Jogo mais certo, mais engenhoso. Praga maldita, praga danada, Maior que todas as pragas do Egito. Que esta cidade traz devastada, Triste e delgada, como um palito. Pobre cidade, pacata outrora Que só jogava o burro, a bisca, E mais a víspora; hoje a devora A jogatina, que tudo arrisca. Joga o velho, joga o moço, Joga o menino, a menina, Joga a parda do caroço, Joga a dama papa-fina, Joga o Saco-do-Alferes E o fidalgo Botafogo, Jogam homens e mulheres, Todos jogam; tudo é jogo! Joga-se à luz meridiana, À do gás e da candeia, Joga-se toda a semana Sem receio da cadeia. Joga-se tudo bem descarado, Roleta, solo, truco, manilha, Marimbo, pocker, roleta, dado, E o sete-e-meio e a rapa-pilha. Porém dos jogos, mil e quinhentos, Que nos assolam com seus caprichos, Figura impávida, aos quatro ventos, O pavoroso jogo dos bichos. Se tem virtudes, altas e belas, Dizer bem pode muitos magnatas, Alvins, Ribeiros e Cabanelas, E outros ilustres bicharocratas. Em balde a nossa fina polícia, Que tem às vezes um bom capricho, Emprega força, tino e malícia Não lhe é possível "matar o bicho". In: BILAC, Olavo. Bom humor. Org. Eloy Pontes. Rio de Janeiro: Casa Mandarino, 1940*. p.63-65. (Vida literária
Mil-Frases Mil-Frases · 3 years ago
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Olavo Bilac
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Olavo Brás Martin...
"A Jogatina" é um poema de Olavo Bilac que critica de forma satírica e irônica os vícios e os males causados pela jogatina na sociedade. O poema descreve a influência negativa dos jogos de azar, como o voltarete e a roleta, que levam à destruição e à deca