Poema
An image with the following quote Era um hábito antigo que ele tinha:
Entrar dando com a porta nos batentes.
— Que te fez essa porta? a mulher vinha
E interrogava. Ele cerrando os dentes:

— Nada! traze o jantar! — Mas à noitinha
Calmava-se; feliz, os inocentes
Olhos revê da filha, a cabecinha
Lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.

Urna vez, ao tornar à casa, quando
Erguia a aldraba, o coração lhe fala:
Entra mais devagar...  — Pára, hesitando...

Nisto nos gonzos range a velha porta,
Ri-se, escancara-se.  E ele vê na sala,
A mulher como doida e a filha morta.

Era um hábito antigo que ele tinha: Entrar dando com a porta nos batentes. — Que te fez essa porta? a mulher vinha E interrogava. Ele cerrando os dentes: — Nada! traze o jantar! —...

— Alberto de Oliveira

A Vingança da Porta

Era um hábito antigo que ele tinha: Entrar dando com a porta nos batentes. — Que te fez essa porta? a mulher vinha E interrogava. Ele cerrando os dentes: — Nada! traze o jantar! — Mas à noitinha Calmava-se; feliz, os inocentes Olhos revê da filha, a cabecinha Lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes. Urna vez, ao tornar à casa, quando Erguia a aldraba, o coração lhe fala: Entra mais devagar... — Pára, hesitando... Nisto nos gonzos range a velha porta, Ri-se, escancara-se. E ele vê na sala, A mulher como doida e a filha morta.
Mil-Frases Mil-Frases · 3 years ago
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Alberto de Oliveira
15 posts
Antônio Mariano d...
"A Vingança da Porta" é um poema de Alberto de Oliveira que retrata a história de um homem que tinha o hábito de entrar em casa batendo a porta com força. Sua esposa questionava o motivo desse comportamento, mas ele apenas respondia com indiferença. No en