O amor disse-me adeus, e eu disse: "Adeus, Amor! Tu fazes bem: a mocidade Quer a mocidade." Os meus amigos Me felicitam: "Como estás bem conservado!" Mas eu sei que no Louvre e...

— Manuel Bandeira

Adeus, Amor

O amor disse-me adeus, e eu disse: "Adeus, Amor! Tu fazes bem: a mocidade Quer a mocidade." Os meus amigos Me felicitam: "Como estás bem conservado!" Mas eu sei que no Louvre e outros museus, e até no nosso Há múmias do velho Egito que estão como eu bem conservadas. Sei mais que posso ainda receber e dar carinhos e ternura. Mas acho isso pouco, e exijo a iluminância, o inesperado, O trauma, o magma... Adeus, Amor! Todavia não estou sozinho. Nunca estive. A vida inteira Vivi em tête-à-tête com uma senhora magra, séria, Da maior distinção. E agora até sou seu vizinho. Tu que me lês adivinhaste ela quem é. Pois é. Portanto digo: "Adeus, Amor!" E à venerável minha vizinha: “Ao teu dispor! Mas olha, vem Para a nossa entrevista última, Pela mão da tua divina Senhora — Nossa Senhora da Boa Morte".
Mil-Frases Mil-Frases · 2 years ago
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Adeus, Amor" é um poema de Manuel Bandeira que retrata a despedida do amor e a aceitação da passagem do tempo. O eu lírico reconhece que a juventude busca a juventude, mas também reflete sobre a sua própria conservação e a busca por algo mais intenso e s