An image with the following quote A tua boca ingênua e triste

E voluptuosa, que eu saberia fazer

Sorrir em meio dos pesares e chorar em meio das alegrias,

A tua boca ingênua e triste

É dele quando ele bem quer.


Os teus seios miraculosos,

Que amamentaram sem perder

O precário frescor da pubescência,

Teus seios, que são como os seios intatos das virgens,

São dele quando ele bem quer.


O teu claro ventre,

Onde como no ventre da terra ouço bater

O mistério de novas vidas e de novos pensamentos,

Teu ventre, cujo contorno tem a pureza da linha de mar e céu ao pôr do sol,


É dele quando ele bem quer.


Só não é dele a tua tristeza.

Tristeza dos que perderam o gosto de viver.

Dos que a vida traiu impiedosamente.

Tristeza de criança que se deve afagar e acalentar.

(A minha tristeza também!...)

Só não é dele a tua tristeza, ó minha triste amiga!

Porque ele não a quer.


1913

A tua boca ingênua e triste E voluptuosa, que eu saberia fazer Sorrir em meio dos pesares e chorar em meio das alegrias, A tua boca ingênua e triste É dele quando ele bem quer....

— Manuel Bandeira

Carinho Triste

A tua boca ingênua e triste E voluptuosa, que eu saberia fazer Sorrir em meio dos pesares e chorar em meio das alegrias, A tua boca ingênua e triste É dele quando ele bem quer. Os teus seios miraculosos, Que amamentaram sem perder O precário frescor da pubescência, Teus seios, que são como os seios intatos das virgens, São dele quando ele bem quer. O teu claro ventre, Onde como no ventre da terra ouço bater O mistério de novas vidas e de novos pensamentos, Teu ventre, cujo contorno tem a pureza da linha de mar e céu ao pôr do sol, É dele quando ele bem quer. Só não é dele a tua tristeza. Tristeza dos que perderam o gosto de viver. Dos que a vida traiu impiedosamente. Tristeza de criança que se deve afagar e acalentar. (A minha tristeza também!...) Só não é dele a tua tristeza, ó minha triste amiga! Porque ele não a quer. 1913
Mil-Frases Mil-Frases · 2 years ago
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Carinho Triste" é um poema de Manuel Bandeira que retrata a relação de um homem com uma mulher, destacando a dualidade de sentimentos presentes nessa relação. O poema descreve a boca, os seios e o ventre da mulher como pertencentes ao homem apenas quando