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3

(...) não tenho compartimentos estanques
Para os meus sentimentos e emoções...

Vidas, realmente se misturam
O que era cérebro acaba sentimento
Minha unidade morre ao relento
(...)

Quando quero pensar, sinto, não sei
Se me sinto quem sou e queria.
Psique de fora da psicologia,
Vivo fora da (...) e da lei

Amorfo anexo ao mundo exterior
Reproduzindo tudo o que nele há
Sem que em meu ser qualquer ser meu me vá
Compensar pessoalmente a minha dor.

Não: sempre as dores doutra gente que é eu
(Sempre alegrias de várias pessoas)
[...]
Sempre de um centro diferente e meu

Carnaval de (...)
Bebendo p'ra se sentir alegres e outros
Outros bebendo como eles (...) se sentem
Tendo de ser alegres (...)

Dêem-me um sentir que cansa e é bom e cessa
Prendam-me para que eu não faça mais versos
Façam [ad finem?] com que o sentir cesse
Proíbam-me pensar com a cabeça.

Dói-me a vida em todos os meus poros
Estala-me na cabeça o coração,
(...)
Para que escrevo? É uma pura perda.
(...)

Depois. [...]
Se escrevo o que sinto [...]. Bom. Merda.

Pronto. Acabou-se. Quebro a pena e a tinta
Entorno-a aqui só para a entornar...
Não haver vida que se possa DAR!
Não haver alma com que não se sinta!

Não haver como essa alma consertar-me
Com cordéis ou arames que se aguentem
Com ferros e madeiras que não mentem
E me dêem unidade no aguentar-me!

Não haver (...)
Não haver, não [...]
Não haver. Não Haver!

CARNAVAL 3 (...) não tenho compartimentos estanques Para os meus sentimentos e emoções... Vidas, realmente se misturam O que era cérebro acaba sentimento Minha unidade morre ao...

— Álvaro de Campos

CARNAVAL [b]

CARNAVAL 3 (...) não tenho compartimentos estanques Para os meus sentimentos e emoções... Vidas, realmente se misturam O que era cérebro acaba sentimento Minha unidade morre ao relento (...) Quando quero pensar, sinto, não sei Se me sinto quem sou e queria. Psique de fora da psicologia, Vivo fora da (...) e da lei Amorfo anexo ao mundo exterior Reproduzindo tudo o que nele há Sem que em meu ser qualquer ser meu me vá Compensar pessoalmente a minha dor. Não: sempre as dores doutra gente que é eu (Sempre alegrias de várias pessoas) [...] Sempre de um centro diferente e meu Carnaval de (...) Bebendo p'ra se sentir alegres e outros Outros bebendo como eles (...) se sentem Tendo de ser alegres (...) Dêem-me um sentir que cansa e é bom e cessa Prendam-me para que eu não faça mais versos Façam [ad finem?] com que o sentir cesse Proíbam-me pensar com a cabeça. Dói-me a vida em todos os meus poros Estala-me na cabeça o coração, (...) Para que escrevo? É uma pura perda. (...) Depois. [...] Se escrevo o que sinto [...]. Bom. Merda. Pronto. Acabou-se. Quebro a pena e a tinta Entorno-a aqui só para a entornar... Não haver vida que se possa DAR! Não haver alma com que não se sinta! Não haver como essa alma consertar-me Com cordéis ou arames que se aguentem Com ferros e madeiras que não mentem E me dêem unidade no aguentar-me! Não haver (...) Não haver, não [...] Não haver. Não Haver!
Mil-Frases Mil-Frases · 3 years ago
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Álvaro de Campos
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O Poeta Álvaro de...
"Carnaval" é um poema intenso e introspectivo de Álvaro de Campos. O poeta expressa a sua dificuldade em separar os seus sentimentos e emoções, fundindo-se com as vidas e experiências dos outros. Ele questiona a sua própria identidade e busca por um senti