“Cedo de mais vem sempre, Cloé, o inverno. É sempre prematuro, inda que o espere Nosso hábito, o esfriar Do desejo que houve. Não entardece que não morra o dia. Não nasce amor...
— Ricardo Reis
Cedo demais vem sempre, Cloé, o inverno.
Cedo de mais vem sempre, Cloé, o inverno.
É sempre prematuro, inda que o espere
Nosso hábito, o esfriar
Do desejo que houve.
Não entardece que não morra o dia.
Não nasce amor ou fé em nós que não
Morra com isso ao menos
O não amar ou crer.
Todo o gesto que o nosso corpo faz
Com o repouso anterior contrasta.
Nesta má circunstância
Do tempo eternos somos.
Só sabe da arte com que viva a vida
Aquele que, de tão contínua usá-la,
Furte ao tempo a vitória
Das mudanças depressa,
E entardecendo como um dia trópico,
Até ao fim inevitável guie
Uma igual vida, súbito
Precipite no abismo.
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Este poema de Ricardo Reis, intitulado "Cedo demais vem sempre, Cloé, o inverno", aborda a inevitabilidade do tempo e a transitoriedade dos sentimentos. O inverno é usado como metáfora para representar o fim de algo que é prematuro, mesmo que seja esperad
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