“Nada fica de nada. Nada somos. Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos Da irrespirável treva<i> </i>que nos pese Da húmida terra imposta, Cadáveres adiados que procriam. Leis f...
— Ricardo Reis
Nada fica de nada. Nada somos. [1]
Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva<i> </i>que nos pese
Da húmida terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.
Leis feitas, estátuas vistas, odes findas —
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, porque não elas?
Somos contos contando contos, nada.
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Este poema de Ricardo Reis reflete sobre a transitoriedade da vida e a inevitabilidade da morte. O poeta expressa a ideia de que nada permanece e que somos efêmeros, comparando-nos a cadáveres adiados que procriam. Através de uma linguagem concisa e diret
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