An image with the following quote Este fundo de hotel é um fim de mundo!

Aqui é o silêncio que tem voz. O encanto

Que deu nome a este morro, põe no fundo

De cada coisa o seu cativo canto.


Ouço o tempo, segundo por segundo,

Urdir a lenta eternidade. Enquanto

Fátima ao pó de estrelas sitibundo

Lança a misericórdia do seu manto.


Teu nome é uma lembrança tão antiga,

Que não tem som nem cor, e eu, miserando,

Não sei mais como o ouvir, nem como o diga.


Falta a morte chegar... Ela me espia

Neste instante talvez, mal suspeitando

Que já morri quando o que eu fui morria.


Petrópolis, 21.2.1953

Este fundo de hotel é um fim de mundo! Aqui é o silêncio que tem voz. O encanto Que deu nome a este morro, põe no fundo De cada coisa o seu cativo canto. Ouço o tempo, segundo...

— Manuel Bandeira

Noturno do Morro do Encanto

Este fundo de hotel é um fim de mundo! Aqui é o silêncio que tem voz. O encanto Que deu nome a este morro, põe no fundo De cada coisa o seu cativo canto. Ouço o tempo, segundo por segundo, Urdir a lenta eternidade. Enquanto Fátima ao pó de estrelas sitibundo Lança a misericórdia do seu manto. Teu nome é uma lembrança tão antiga, Que não tem som nem cor, e eu, miserando, Não sei mais como o ouvir, nem como o diga. Falta a morte chegar... Ela me espia Neste instante talvez, mal suspeitando Que já morri quando o que eu fui morria. Petrópolis, 21.2.1953
Mil-Frases Mil-Frases · 2 years ago
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
Noturno do Morro do Encanto é um poema de Manuel Bandeira que retrata a solidão e a melancolia de um hotel no fim do mundo. O poeta descreve o silêncio que tem voz e o encanto que dá nome ao morro, revelando a beleza cativa de cada coisa. O tempo é sentid