An image with the following quote Quando em silêncio a casa adormecia e vinha

Ao meu quarto a aromada emanação dos matos,

Deslizáveis astuta, amorosa e daninha,

Propinando na treva o absinto dos contatos.


Como se enlaça ao tronco a ondulação da vinha,

Um por um despojando os fictícios recatos,

Estreitáveis-me cauta e essa pupila tinha

Fosforescências como a pupila dos gatos.


Tudo em vós flamejava em instintiva fúria.

A garganta cruel arfava com luxúria.

O ventre era um covil de serpentes em cio...


Sem paixão, sem pudor, sem escrúpulos — éreis

Tão bela! e as vossas mãos, fontes de calefrio,

Abrasavam no ardor das volúpias estéreis...


Teresópolis, 1912

Quando em silêncio a casa adormecia e vinha Ao meu quarto a aromada emanação dos matos, Deslizáveis astuta, amorosa e daninha, Propinando na treva o absinto dos contatos. Como...

— Manuel Bandeira

O Súcubo

Quando em silêncio a casa adormecia e vinha Ao meu quarto a aromada emanação dos matos, Deslizáveis astuta, amorosa e daninha, Propinando na treva o absinto dos contatos. Como se enlaça ao tronco a ondulação da vinha, Um por um despojando os fictícios recatos, Estreitáveis-me cauta e essa pupila tinha Fosforescências como a pupila dos gatos. Tudo em vós flamejava em instintiva fúria. A garganta cruel arfava com luxúria. O ventre era um covil de serpentes em cio... Sem paixão, sem pudor, sem escrúpulos — éreis Tão bela! e as vossas mãos, fontes de calefrio, Abrasavam no ardor das volúpias estéreis... Teresópolis, 1912
Mil-Frases Mil-Frases · 2 years ago
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"O Súcubo" é um poema de Manuel Bandeira que retrata a presença de uma figura feminina sedutora e perigosa. O poema descreve a chegada dessa figura ao quarto do eu lírico durante a noite, trazendo consigo um aroma sedutor e provocando sensações intensas.