An image with the following quote Muda e sem trégua

Galopa a névoa, galopa a névoa.


Minha janela desmantelada

Dá para o vale do desalento.


Sombrio vale! Não vejo nada

Senão a névoa que toca o vento.


Lá vão os dias de minha infância

— Imagens rotas que se desmancham:


O vento do largo na praia,

O meu vestidinho de saia:


Aquele corvo, o vôo torvo,

O meu destino aquele corvo!


O que eu cuidava do mundo mau!

Os ladrões com cara de pau!


As histórias que faziam sonhar;

E os livros: Simplício olha pra o ar,


João Felpudo, Viagem à roda do mundo

Numa casquinha de noz.


À nossa infância, ó minha irmã, tão longe de nós!

Muda e sem trégua Galopa a névoa, galopa a névoa. Minha janela desmantelada Dá para o vale do desalento. Sombrio vale! Não vejo nada Senão a névoa que toca o vento. Lá vão...

— Manuel Bandeira

Ruço

Muda e sem trégua Galopa a névoa, galopa a névoa. Minha janela desmantelada Dá para o vale do desalento. Sombrio vale! Não vejo nada Senão a névoa que toca o vento. Lá vão os dias de minha infância — Imagens rotas que se desmancham: O vento do largo na praia, O meu vestidinho de saia: Aquele corvo, o vôo torvo, O meu destino aquele corvo! O que eu cuidava do mundo mau! Os ladrões com cara de pau! As histórias que faziam sonhar; E os livros: Simplício olha pra o ar, João Felpudo, Viagem à roda do mundo Numa casquinha de noz. À nossa infância, ó minha irmã, tão longe de nós!
Mil-Frases Mil-Frases · 2 years ago
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Ruço" é um poema melancólico de Manuel Bandeira que retrata a passagem do tempo e a perda da inocência da infância. A névoa que galopa sem trégua simboliza a incerteza e a desilusão da vida adulta. O poema evoca memórias fragmentadas da infância, como o