“Se me vem tanta glória só de olhar-te, É pena desigual deixar de ver-te; Se presumo com obras merecer-te, Grão paga de um engano é desejar-te. Se aspiro por quem és a celebrar-te...
— Luís Vaz de Camões
Se me vem tanta glória só de olhar-te
Se me vem tanta glória só de olhar-te,
É pena desigual deixar de ver-te;
Se presumo com obras merecer-te,
Grão paga de um engano é desejar-te.
Se aspiro por quem és a celebrar-te,
Sei certo por quem sou que hei-de ofender-te;
Se mal me quero a mim por bem querer-te,
Que prémio querer posso mais que amar-te?
Porque um tão raro amor não me socorre?
Ó humano tesouro! Ó doce glória!
Ditoso quem à morte por ti corre!
Sempre escrita estarás nesta memória;
E esta alma viverá, pois por ti morre,
Porque ao fim da batalha é a vitória.
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Este poema de Luís Vaz de Camões expressa a intensidade do amor e a angústia de não poder estar com a pessoa amada. Através de versos melancólicos, o poeta revela a sua devoção e desejo de ser correspondido, mesmo que isso signifique enfrentar obstáculos
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