“Seguro assento na coluna firme Dos versos em que fico. Aquele agudo interno movimento Por quem os fiz pensados Passa, e eu, outro já que o factor deles, Póstumo substituo-me....
— Ricardo Reis
Seguro assento na coluna firme [ 2]
Seguro assento na coluna firme
Dos versos em que fico.
Aquele agudo interno movimento
Por quem os fiz pensados
Passa, e eu, outro já que o factor deles,
Póstumo substituo-me.
Chegada a hora, eu próprio serei todo
Menos que essas palavras
E papel, ou papiro escrito e morto
Será mais eu que eu mesmo.
A obra imortal excede o autor da obra;
E é menos dono dela
Quem a fez do que o tempo em que perdura.
Morre a obra a vida nossa.
Durar, sentir, só os altos deuses unem.
Nós não somos inteiros.
Assim os deuses esta nossa regem
Mortal e imortal vida;
Assim o Fado rege que assim rejam.
Mas se assim é, é assim.
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Este poema de Ricardo Reis reflete sobre a transitoriedade da vida e a imortalidade da obra literária. O eu lírico reconhece que, no momento em que escreve os versos, já se tornou outro, substituindo-se pelo próprio fator que os originou. A obra, por sua
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