An image with the following quote Seguro assento na coluna firme

Dos versos em que fico.

O criador interno movimento

Por quem fui autor deles

Passa, e eu sobrevivo, já não quem

Escreveu o que fez.

Chegada a hora, passarei também

E os versos, que não sentem

Serão a única restança posta

Nos capitéis do tempo.


A obra imortal excede o autor da obra;

E é menos dono dela

Quem a fez do que o tempo em que perdura.

Morremos a obra viva.

Assim os deuses esta nossa regem

Mortal e imortal vida;

Assim o Fado faz que eles a rejam.

Mas se assim é, é assim.


Aquele agudo interno movimento,

Por quem fui autor deles

Primeiro passa, e eu, outro já do que era,

<b><i> </i></b>Póstumo substituo-me.

Chegada a hora, também serei menos

Que os versos permanentes.

E papel, ou papiro escrito e morto

Tem mais vida que a mente.


Na noite a sombra é mais igual à noite

Que o corpo que alumia.

Seguro assento na coluna firme Dos versos em que fico. O criador interno movimento Por quem fui autor deles Passa, e eu sobrevivo, já não quem Escreveu o que fez. Chegada a h...

— Ricardo Reis

Seguro assento na coluna firme [ 3]

Seguro assento na coluna firme Dos versos em que fico. O criador interno movimento Por quem fui autor deles Passa, e eu sobrevivo, já não quem Escreveu o que fez. Chegada a hora, passarei também E os versos, que não sentem Serão a única restança posta Nos capitéis do tempo. A obra imortal excede o autor da obra; E é menos dono dela Quem a fez do que o tempo em que perdura. Morremos a obra viva. Assim os deuses esta nossa regem Mortal e imortal vida; Assim o Fado faz que eles a rejam. Mas se assim é, é assim. Aquele agudo interno movimento, Por quem fui autor deles Primeiro passa, e eu, outro já do que era, <b><i> </i></b>Póstumo substituo-me. Chegada a hora, também serei menos Que os versos permanentes. E papel, ou papiro escrito e morto Tem mais vida que a mente. Na noite a sombra é mais igual à noite Que o corpo que alumia.
Mil-Frases Mil-Frases · 3 years ago
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Ricardo Reis
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Ricardo Reis, um ...
Este poema de Ricardo Reis reflete sobre a transitoriedade da vida e a imortalidade da obra literária. O eu lírico reconhece que, embora tenha sido o autor dos versos, o movimento interno que os criou passa e ele sobrevive. A obra imortal transcende o aut