An image with the following quote A Olavo Bilac
Tu artista, com zelo,
Esmerilha e investiga!
Níssia, o melhor modelo
Vivo, oferece, da beleza antiga.
Para esculpi-la, em vão, árduos, no meio
De esbraseada arena,
Batem-se, quebram-se em fatal torneio,
Pincel, lápis, buril, cinzel e pena.
A Afrodite pagã, que o pejo afronta,
Exposta nua do universo às vistas,
Dos seios duros na marmórea ponta
Amamentando gerações de artistas,
Não na excede; e, ao contrário, em sua rica
Nudez, por mil espelhos,
Mostra o que ela não mostra, de pudica,
Do colo abaixo e acima dos artelhos.
Analisa-a, sagaz, linha por linha,
E à tão sagaz minúcia apenas poupa
Tudo o que se não vê, mas se adivinha
Por sob a avara roupa...
Deixa que a roupa avara
Do peito o virginal tesoiro esconda,
E o mais, até... onde, perfeita e clara,
A barriga da perna se arredonda...
Basta-te à vista esperta
Revela-se, através do linho grosso,
O alabastro da espádua mal coberta,
E o Paros do pescoço.
Basta que traia, como trai, de leve,
O contorno flexuoso...
Basta esse rosto ideal - púrpura e neve -
E a curva grega do nariz gracioso.
Um quase nada basta, enfim, que traia
Ao teu olhar agudo,
Para que este deduza, tire, extraia
Daquele quase nada, quase tudo...

A Olavo Bilac Tu artista, com zelo, Esmerilha e investiga! Níssia, o melhor modelo Vivo, oferece, da beleza antiga. Para esculpi-la, em vão, árduos, no meio De esbraseada arena, Ba...

— Raimundo Correia

Versos a um Artista

A Olavo Bilac Tu artista, com zelo, Esmerilha e investiga! Níssia, o melhor modelo Vivo, oferece, da beleza antiga. Para esculpi-la, em vão, árduos, no meio De esbraseada arena, Batem-se, quebram-se em fatal torneio, Pincel, lápis, buril, cinzel e pena. A Afrodite pagã, que o pejo afronta, Exposta nua do universo às vistas, Dos seios duros na marmórea ponta Amamentando gerações de artistas, Não na excede; e, ao contrário, em sua rica Nudez, por mil espelhos, Mostra o que ela não mostra, de pudica, Do colo abaixo e acima dos artelhos. Analisa-a, sagaz, linha por linha, E à tão sagaz minúcia apenas poupa Tudo o que se não vê, mas se adivinha Por sob a avara roupa... Deixa que a roupa avara Do peito o virginal tesoiro esconda, E o mais, até... onde, perfeita e clara, A barriga da perna se arredonda... Basta-te à vista esperta Revela-se, através do linho grosso, O alabastro da espádua mal coberta, E o Paros do pescoço. Basta que traia, como trai, de leve, O contorno flexuoso... Basta esse rosto ideal - púrpura e neve - E a curva grega do nariz gracioso. Um quase nada basta, enfim, que traia Ao teu olhar agudo, Para que este deduza, tire, extraia Daquele quase nada, quase tudo...
Mil-Frases Mil-Frases · 3 years ago
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Raimundo Correia
29 posts
Raimundo da Mota ...
"Versos a um Artista" é um poema de Raimundo Correia que exalta a habilidade e dedicação do artista em sua busca pela beleza. O poema descreve a figura de Níssia, um modelo vivo que oferece ao artista a inspiração da antiga beleza. O autor destaca a dific