An image with the following quote Não é que não me fales aos sentidos,

À inteligência, o instinto, o coração:

Falas demais até, e com tal suasão,

Que para não te ouvir selo os ouvidos.


Não é que sinta gastos e abolidos

Força e gosto de amar, nem haja a mão,

Na dos anos penosa sucessão,

Desaprendido os jogos aprendidos.


E ainda que tudo em mim murchado houvera,

Teu olhar saberia, senão quando,

Tudo alertar em nova primavera.


Sem ambições de amor ou de poder,

Nada peço nem quero e — entre nós —, ando

Com uma grande vontade de morrer.

CANÇÃO PARA A MINHA MORTE

Bem que filho do Norte

Não sou bravo nem forte.

Mas, como a vida amei

Quero te amar, ó morte,

— Minha morte, pesar

Que não te escolherei.


Do amor tive na vida

Quanto amor pode dar:

Amei não sendo amado,

E sendo amado, amei.

Morte, em ti quero agora

Esquecer que na vida

Não fiz senão amar.


Sei que é grande maçada

Morrer mas morrerei

— Quando fores servida —

Sem maiores saudades

Desta madrasta vida,

Que, todavia, amei.

Não é que não me fales aos sentidos, À inteligência, o instinto, o coração: Falas demais até, e com tal suasão, Que para não te ouvir selo os ouvidos. Não é que sinta gastos e...

— Manuel Bandeira

Vontade de Morrer

Não é que não me fales aos sentidos, À inteligência, o instinto, o coração: Falas demais até, e com tal suasão, Que para não te ouvir selo os ouvidos. Não é que sinta gastos e abolidos Força e gosto de amar, nem haja a mão, Na dos anos penosa sucessão, Desaprendido os jogos aprendidos. E ainda que tudo em mim murchado houvera, Teu olhar saberia, senão quando, Tudo alertar em nova primavera. Sem ambições de amor ou de poder, Nada peço nem quero e — entre nós —, ando Com uma grande vontade de morrer. CANÇÃO PARA A MINHA MORTE Bem que filho do Norte Não sou bravo nem forte. Mas, como a vida amei Quero te amar, ó morte, — Minha morte, pesar Que não te escolherei. Do amor tive na vida Quanto amor pode dar: Amei não sendo amado, E sendo amado, amei. Morte, em ti quero agora Esquecer que na vida Não fiz senão amar. Sei que é grande maçada Morrer mas morrerei — Quando fores servida — Sem maiores saudades Desta madrasta vida, Que, todavia, amei.
Mil-Frases Mil-Frases · 2 years ago
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Vontade de Morrer" é um poema de Manuel Bandeira que expressa a angústia e a desilusão do eu lírico em relação à vida. O poema retrata a sensação de cansaço e desencanto, onde o eu lírico fecha os ouvidos para não ouvir mais as palavras que o perturbam.