An image with the following quote A morte — esse pior que tem por força que acontecer;
Esse cair para o fundo do poço sem fundo;
Esse escurecer universal para dentro;
Esse apocalipse da consciência  <sub>, </sub>  com a queda de todas as estrelas —
Isso que será meu um dia,
Um dia pertíssimo, pertíssimo,
Pinta de negro todas as minhas sensações,
E é areia sem corpo escorrendo-me por entre os dedos
O pensamento e a vida.

A gare no deserto, deserta;
O intérprete mudo;
O boneco humano sem olhos nem boca
Embandeirado a fogo-fátuo
Num mar que é só puro espaço
Sob um céu sacudido por relâmpagos pretos...
Sinistra singre, roída de vermes audíveis a quilha sentiente
E sejam os mastros dedos de âmbar, longuíssimos,
Apontando o vácuo das coisas (que é o abismo em tudo)...
As velas de um reposteiro vermelho lindo e baço
Se abram ao vento soprando de um buraco enorme sem fim,
E comecem, fora do tempo, uma viagem ao fim de tudo.
Estica um horror consciente no gemer dos cabos...
O ruído do ranger da madeira é dentro da alma...
O avanço velocíssimo é uma coisa que falta...
E se a vida é horizontal, isto dá-se verticalmente...

A morte — esse pior que tem por força que acontecer; Esse cair para o fundo do poço sem fundo; Esse escurecer universal para dentro; Esse apocalipse da consciência <sub>, </sub>...

— Álvaro de Campos

A morte — esse pior que tem por força que acontecer;

A morte — esse pior que tem por força que acontecer; Esse cair para o fundo do poço sem fundo; Esse escurecer universal para dentro; Esse apocalipse da consciência <sub>, </sub> com a queda de todas as estrelas — Isso que será meu um dia, Um dia pertíssimo, pertíssimo, Pinta de negro todas as minhas sensações, E é areia sem corpo escorrendo-me por entre os dedos O pensamento e a vida. A gare no deserto, deserta; O intérprete mudo; O boneco humano sem olhos nem boca Embandeirado a fogo-fátuo Num mar que é só puro espaço Sob um céu sacudido por relâmpagos pretos... Sinistra singre, roída de vermes audíveis a quilha sentiente E sejam os mastros dedos de âmbar, longuíssimos, Apontando o vácuo das coisas (que é o abismo em tudo)... As velas de um reposteiro vermelho lindo e baço Se abram ao vento soprando de um buraco enorme sem fim, E comecem, fora do tempo, uma viagem ao fim de tudo. Estica um horror consciente no gemer dos cabos... O ruído do ranger da madeira é dentro da alma... O avanço velocíssimo é uma coisa que falta... E se a vida é horizontal, isto dá-se verticalmente...
Mil-Frases Mil-Frases · hace 3 años
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Álvaro de Campos
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O Poeta Álvaro de...
"A morte - esse pior que tem por força que acontecer" é um poema de Álvaro de Campos que aborda a temática da morte de forma intensa e sombria. O poema descreve a morte como um evento inevitável, comparando-a a uma queda para o fundo do poço sem fundo e u