Poema
“Era um hábito antigo que ele tinha: Entrar dando com a porta nos batentes. — Que te fez essa porta? a mulher vinha E interrogava. Ele cerrando os dentes: — Nada! traze o jantar! —...
— Alberto de Oliveira
A Vingança da Porta
Era um hábito antigo que ele tinha:
Entrar dando com a porta nos batentes.
— Que te fez essa porta? a mulher vinha
E interrogava. Ele cerrando os dentes:
— Nada! traze o jantar! — Mas à noitinha
Calmava-se; feliz, os inocentes
Olhos revê da filha, a cabecinha
Lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.
Urna vez, ao tornar à casa, quando
Erguia a aldraba, o coração lhe fala:
Entra mais devagar... — Pára, hesitando...
Nisto nos gonzos range a velha porta,
Ri-se, escancara-se. E ele vê na sala,
A mulher como doida e a filha morta.
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"A Vingança da Porta" é um poema de Alberto de Oliveira que retrata a história de um homem que tinha o hábito de entrar em casa batendo a porta com força. Sua esposa questionava o motivo desse comportamento, mas ele apenas respondia com indiferença. No en
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