“O preto no branco, O pente na pele: Pássaro espalmado No céu quase branco. Em meio do pente, A concha bivalve Num mar de escarlata. Concha, rosa ou tâmara? No escuro rece...
— Manuel Bandeira
Água-forte
O preto no branco,
O pente na pele:
Pássaro espalmado
No céu quase branco.
Em meio do pente,
A concha bivalve
Num mar de escarlata.
Concha, rosa ou tâmara?
No escuro recesso,
As fontes da vida
A sangrar inúteis
Por duas feridas.
Tudo bem oculto
Sob as aparências
Da água-forte simples:
De face, de flanco,
O preto no branco.
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"Água-forte" é um poema de Manuel Bandeira que retrata a dualidade entre o preto e o branco, o pente e a pele, o céu e a concha bivalve. Através de imagens fortes e contrastantes, o poema sugere uma reflexão sobre as aparências e as profundezas ocultas da
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