“Meu doido coração aonde vais, No teu imenso anseio de liberdade? Toma cautela com a realidade; Meu pobre coração olha cais! Deixa-te estar quietinho! Não amais A doce quietação da...
— Florbela Espanca
Anseios (À minha Júlia)
Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!...
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!
Não ́stendas tuas asas para o longe...
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar!..
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"Anseios (À minha Júlia)" é um poema de Florbela Espanca que retrata a luta interna do coração entre a busca pela liberdade e a necessidade de segurança. O eu lírico adverte o coração para ter cuidado com a realidade e valorizar a tranquilidade da solidão
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