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Campina e trigo.)
Como ao som de uma marcha ao mesmo tempo marcial e fúnebre,
[...] e alegria e temor
Rompem...
A vida é antagonismo, [...]?

Queda de impérios, tudo a fugir... sangue, ruídos... tumultos
Amontoamentos de coisas pilhadas num saque,
Despensas junto das cidades, entre casas caídas,
Choros, raivas, inferno de som,
A vida e a sua tragédia toda vivida num dia, numa hora...
Todo o mistério e horror de nos acontecerem coisas
Todo o horror de quem vive sossegado e de repente vê a morte
Vê o inferno, [...]
(Pobre de [...]!)
Tudo quebrado, tudo ferido, tudo diverso de quando era normal a vida...

(Ditosos os que morrem logo depois de nascer
E para quem a luz da vida não é mais do que um relâmpago no horizonte!)
(Poder pensar claro neste assunto!
Poder ver bem e sem sofrer ser outro o que é isto!
Ah quem me dera ter o coração ampliado e arrumado
Como um interior de casa de família de gente que tem com que viver!)
E o ruído dos saques, o fragor das batalhas, os choros, as mágoas, os (...)
Os choques dos homens
São um mar de confusão onde a nossa lucidez se afunda.
Perco-me de compreender...
Apanho-me nessa tragédia de pasmo humanitário.

Campina e trigo, campina, Campina e trigo.) Como ao som de uma marcha ao mesmo tempo marcial e fúnebre, [...] e alegria e temor Rompem... A vida é antagonismo, [...]? Queda de imp...

— Álvaro de Campos

Campina e trigo, campina,

Campina e trigo, campina, Campina e trigo.) Como ao som de uma marcha ao mesmo tempo marcial e fúnebre, [...] e alegria e temor Rompem... A vida é antagonismo, [...]? Queda de impérios, tudo a fugir... sangue, ruídos... tumultos Amontoamentos de coisas pilhadas num saque, Despensas junto das cidades, entre casas caídas, Choros, raivas, inferno de som, A vida e a sua tragédia toda vivida num dia, numa hora... Todo o mistério e horror de nos acontecerem coisas Todo o horror de quem vive sossegado e de repente vê a morte Vê o inferno, [...] (Pobre de [...]!) Tudo quebrado, tudo ferido, tudo diverso de quando era normal a vida... (Ditosos os que morrem logo depois de nascer E para quem a luz da vida não é mais do que um relâmpago no horizonte!) (Poder pensar claro neste assunto! Poder ver bem e sem sofrer ser outro o que é isto! Ah quem me dera ter o coração ampliado e arrumado Como um interior de casa de família de gente que tem com que viver!) E o ruído dos saques, o fragor das batalhas, os choros, as mágoas, os (...) Os choques dos homens São um mar de confusão onde a nossa lucidez se afunda. Perco-me de compreender... Apanho-me nessa tragédia de pasmo humanitário.
Mil-Frases Mil-Frases · hace 3 años
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Álvaro de Campos
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O Poeta Álvaro de...
Este poema de Álvaro de Campos, intitulado "Campina e trigo, campina", retrata a dualidade da vida, expressando sentimentos de alegria e temor. O poeta descreve a queda de impérios, a violência e o caos, contrastando com a tranquilidade daqueles que morre