An image with the following quote O solitude! O pauvreté!

Musset


O céu parece de algodão.

O dia morre. Choveu tanto!

As minhas pálpebras estão

Como embrumadas pelo pranto


Sinto-o descer devagarinho,

Cheio de mágoa e mansidão.

A minha testa quer carinho,

E pede afago a minha mão.


Debalde o rio docemente

Canta a monótona canção:

Minh'alma é um menino doente

Que a ama acalenta mas em vão.


A névoa baixa. A obscuridade

Cresce. Também no coração

Pesada névoa de saudade

Cai. Ó pobreza! Ó solidão!


Clavadel, 1913

O solitude! O pauvreté! Musset O céu parece de algodão. O dia morre. Choveu tanto! As minhas pálpebras estão Como embrumadas pelo pranto Sinto-o descer devagarinho, Cheio...

— Manuel Bandeira

Cantilena

O solitude! O pauvreté! Musset O céu parece de algodão. O dia morre. Choveu tanto! As minhas pálpebras estão Como embrumadas pelo pranto Sinto-o descer devagarinho, Cheio de mágoa e mansidão. A minha testa quer carinho, E pede afago a minha mão. Debalde o rio docemente Canta a monótona canção: Minh'alma é um menino doente Que a ama acalenta mas em vão. A névoa baixa. A obscuridade Cresce. Também no coração Pesada névoa de saudade Cai. Ó pobreza! Ó solidão! Clavadel, 1913
Mil-Frases Mil-Frases · hace 2 años
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Manuel Bandeira
439 posts
A poesia de Bande...
"Cantilena" é um poema melancólico de Manuel Bandeira, onde o eu lírico expressa sua solidão e pobreza. Através de imagens como o céu de algodão e a névoa de saudade, o poema transmite uma sensação de tristeza e desamparo. É um poema para ser lido em mome