“Cuidas tu, louco Flaco, que apertando Os teus estéreis, trabalhosos dias Em feixes de hirta lenha, Cumpres a tua vida? A tua lenha é só peso que levas Para onde não tens fogo...
— Ricardo Reis
Cuidas tu, louco Flaco, que apertando [1]
Cuidas tu, louco Flaco, que apertando
Os teus estéreis, trabalhosos dias
Em feixes de hirta lenha,
Cumpres a tua vida?
A tua lenha é só peso que levas
Para onde não tens fogo que aquecer-te,
Nem levam peso ao colo
As sombras que seremos.
Aprende calma com o céu havido
E com o pranto a ter contínuo curso.
Não sigas a clepsidra
Que conta a hora dos outros.
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Este poema de Ricardo Reis, intitulado "Cuidas tu, louco Flaco, que apertando", reflete sobre a futilidade de se dedicar a tarefas árduas e vazias de significado. O eu lírico questiona se o trabalho incessante e sem propósito realmente preenche a vida. A
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