An image with the following quote Feliz aquele a quem a vida grata

Concedeu que dos deuses se lembrasse

E visse como eles

Estas terrenas coisas onde mora

Um reflexo mortal da imortal vida.

Feliz, que quando a hora tributária

Transpor seu átrio porque a Parca corte

O fio fiado até ao fim,

Gozar poderá o alto prémio

De errar no Averno grato abrigo

Da convivência.


Mas aquele que quer Cristo antepor

Aos mais antigos Deuses que no Olimpo

Seguiram a Saturno –

O seu blasfemo ser abandonado

Na fria expiação – até que os Deuses

De quem se esqueceu deles se recordem –

Erra, sombra inquieta, incertamente,

Nem a viúva lhe põe na boca

O óbolo a Caronte grato,

E sobre o seu corpo insepulto

Não deita terra o viandante.



11-12/09/1916

Feliz aquele a quem a vida grata Concedeu que dos deuses se lembrasse E visse como eles Estas terrenas coisas onde mora Um reflexo mortal da imortal vida. Feliz, que quando a...

— Ricardo Reis

Feliz aquele a quem a vida grata

Feliz aquele a quem a vida grata Concedeu que dos deuses se lembrasse E visse como eles Estas terrenas coisas onde mora Um reflexo mortal da imortal vida. Feliz, que quando a hora tributária Transpor seu átrio porque a Parca corte O fio fiado até ao fim, Gozar poderá o alto prémio De errar no Averno grato abrigo Da convivência. Mas aquele que quer Cristo antepor Aos mais antigos Deuses que no Olimpo Seguiram a Saturno – O seu blasfemo ser abandonado Na fria expiação – até que os Deuses De quem se esqueceu deles se recordem – Erra, sombra inquieta, incertamente, Nem a viúva lhe põe na boca O óbolo a Caronte grato, E sobre o seu corpo insepulto Não deita terra o viandante. 11-12/09/1916
Mil-Frases Mil-Frases · hace 3 años
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Ricardo Reis
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Ricardo Reis, um ...
Este poema de Ricardo Reis, intitulado "Feliz aquele a quem a vida grata", reflete sobre a felicidade daqueles que se lembram dos deuses e conseguem apreciar a beleza da vida terrena como um reflexo da imortalidade. O poeta contrasta essa felicidade com a