Poema
An image with the following quote Felizes, cujos corpos sob as árvores

Jazem na húmida terra,

Que nunca mais sofrem o sol, ou sabem

Das doenças da lua.


Verta Éolo a caverna inteira sobre

O orbe esfarrapado,

Lance Neptuno, em cheias mãos, ao alto

As ondas estoirando.


Tudo lhe é nada, e o próprio pegureiro

Que passa, finda a tarde,

Sob a árvore onde jaz quem foi a sombra

Imperfeita de um deus,


Não sabe que os seus passos vão cobrindo

O que podia ser,

Se a vida fosse sempre a vida, a glória

De uma beleza eterna.



01/06/1916

Felizes, cujos corpos sob as árvores Jazem na húmida terra, Que nunca mais sofrem o sol, ou sabem Das doenças da lua. Verta Éolo a caverna inteira sobre O orbe esfarrapado,...

— Ricardo Reis

Felizes, cujos corpos sob as árvores

Felizes, cujos corpos sob as árvores Jazem na húmida terra, Que nunca mais sofrem o sol, ou sabem Das doenças da lua. Verta Éolo a caverna inteira sobre O orbe esfarrapado, Lance Neptuno, em cheias mãos, ao alto As ondas estoirando. Tudo lhe é nada, e o próprio pegureiro Que passa, finda a tarde, Sob a árvore onde jaz quem foi a sombra Imperfeita de um deus, Não sabe que os seus passos vão cobrindo O que podia ser, Se a vida fosse sempre a vida, a glória De uma beleza eterna. 01/06/1916
Mil-Frases Mil-Frases · hace 3 años
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Ricardo Reis
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Ricardo Reis, um ...
Este poema de Ricardo Reis, intitulado "Felizes, cujos corpos sob as árvores", retrata a ideia de felicidade e paz encontrada na morte e na ausência das preocupações terrenas. O eu lírico expressa a tranquilidade daqueles que descansam sob as árvores, liv