“Manhã que raias sem olhar a mim, Sol que luzes sem querer saber de eu ver-te, É para mim que sois Reais e verdadeiros; Porque é na oposição ao que eu desejo Que sinto real a n...
— Ricardo Reis
Manhã que raias sem olhar a mim,
Manhã que raias sem olhar a mim,
Sol que luzes sem querer saber de eu ver-te,
É para mim que sois
Reais e verdadeiros;
Porque é na oposição ao que eu desejo
Que sinto real a natureza e a vida.
No que me nega sinto
Que existe e eu sou pequeno.
E nesta consciência torno a grande
Como a onda, que as tormentas atiraram
Ao alto ar, regressa
Pesada a um mar mais fundo.
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Este poema de Ricardo Reis retrata a contemplação da manhã e do sol, que brilham indiferentes ao eu lírico. O eu lírico encontra a sua própria realidade e verdade na oposição ao que deseja, sentindo-se pequeno diante do que lhe é negado. No entanto, é nes
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