An image with the following quote Não sem lei, mas segundo leis diversas

Entre os homens reparte o fado e os deuses

Sem justiça ou injustiça

Prazeres, dores, gozos e perigos.


Bem ou mal, não terás o que mereces.

Querem os deuses a isto obrigar

Porque o Fado não tem

Leis nossas com que reja a sua lei.


Quem é rei hoje, amanhã escravo cruza

Com o escravo de ontem que é depois rei.

Sem razão um caiu,

Sem causa nele o outro ascenderá.


Não em nós, mas dos deuses no capricho

E nas sombras  p'ra além do seu domínio

Está o que somos, e temos,

A vida e a morte do que somos nós.


Se te apraz mereceres, que te apraza

Por mereceres, não porque te o Fado

Dê o prémio ou a paga

De com constância haveres merecido.


Dúbia é a vida, inconstante o que a governa.

O que esperamos nem sempre acontece

Nem nos falece sempre,

Nem há com que a alma uma ou outra cousa espere.


Torna teu coração digno dos deuses

E deixa a vida incerta ser quem seja.

O que te acontecer

Aceita. Os deuses nunca se rebelam.


Nas mãos inevitáveis do destino

A roda rápida soterra hoje

Quem ontem viu o céu

Do transitório auge do seu giro.

Não sem lei, mas segundo leis diversas Entre os homens reparte o fado e os deuses Sem justiça ou injustiça Prazeres, dores, gozos e perigos. Bem ou mal, não terás o que merece...

— Ricardo Reis

Não sem lei, mas segundo leis diversas

Não sem lei, mas segundo leis diversas Entre os homens reparte o fado e os deuses Sem justiça ou injustiça Prazeres, dores, gozos e perigos. Bem ou mal, não terás o que mereces. Querem os deuses a isto obrigar Porque o Fado não tem Leis nossas com que reja a sua lei. Quem é rei hoje, amanhã escravo cruza Com o escravo de ontem que é depois rei. Sem razão um caiu, Sem causa nele o outro ascenderá. Não em nós, mas dos deuses no capricho E nas sombras p'ra além do seu domínio Está o que somos, e temos, A vida e a morte do que somos nós. Se te apraz mereceres, que te apraza Por mereceres, não porque te o Fado Dê o prémio ou a paga De com constância haveres merecido. Dúbia é a vida, inconstante o que a governa. O que esperamos nem sempre acontece Nem nos falece sempre, Nem há com que a alma uma ou outra cousa espere. Torna teu coração digno dos deuses E deixa a vida incerta ser quem seja. O que te acontecer Aceita. Os deuses nunca se rebelam. Nas mãos inevitáveis do destino A roda rápida soterra hoje Quem ontem viu o céu Do transitório auge do seu giro.
Mil-Frases Mil-Frases · hace 3 años
0 Curtida
0 Comentário
0 Partilhas

Comentário

Seja o primeiro a comentar.
Ricardo Reis
501 posts
Ricardo Reis, um ...
Este poema de Ricardo Reis aborda a ideia de que a vida é regida por leis diversas, não necessariamente justas ou injustas. O autor reflete sobre a imprevisibilidade do destino e a falta de controle que temos sobre o que nos acontece. Ele sugere que devem