An image with the following quote Ilha de atrozes degredos!
Cinge um muro de rochedos
Seus flancos.  Grosso a espumar
Contra a dura penedia,
Bate, arrebenta, assobia,
Retumba, estrondeia o mar.

Em circuito, o Horror impera;
No centro, abrindo a cratera
Flagrante, arroja um volcão
Ígnea blasfêmia às alturas...
E, nas ínvias espessuras,
Brame o tigre, urra o leão.

Aqui chora, aqui, proscrita,
Clama e desespera aflita
A alma de si mesma algoz,
Buscando na imensa plaga,
Entre mil vagas, a vaga,
Que neste exílio a depôs.

Se a vida a prende à matéria,
Fora desta, a alma, sidérea,
Radia em pleno candor;
O corpo, escravo dos vícios,
É que teme os precipícios,
Que este mar cava em redor.

No azul eterno ela busca,
No azul, cujo brilho a ofusca,
Pairar, incendida ao sol,
Despindo a crusta vil, onde
Se esconde, como se esconde
A lesma em seu caracol.

Contempla o infinito ... Um bando
De gerifaltos voando
Passou, desapareceu
No éter azul, na água verde...
E onde esse bando se perde,
seu longo olhar se perde...

Contempla o mar, silenciosa:
Ora mansa, ora raivosa,
Vai e vem a onda minaz,
E entre as pontas do arrecife,
Às vezes leva um esquife,
Às vezes um berço traz.

Contempla, de olhos magoados,
Tudo...  Muitos degredados
Findo o seu degredo têm;
Vão-se na onda intumescida
Da Morte, mas na da Vida,
Novos degredados vêm.

Ó alma contemplativa !
Vem já, decumana e altiva,
Entre as ondas talvez,
A que, no supremo esforço
Da morte, em seu frio dorso,
Te leve ao largo, outra vez.

Quanto esplendor!  São aquelas
As regiões de luz, que anelas,
Rompe os rígidos grilhões,
Com que à Carne de agrilhoa
O instinto vital!  E voa,
e voa àquelas regiões!...

Ilha de atrozes degredos! Cinge um muro de rochedos Seus flancos. Grosso a espumar Contra a dura penedia, Bate, arrebenta, assobia, Retumba, estrondeia o mar. Em circuito, o Horr...

— Raimundo Correia

Ondas

Ilha de atrozes degredos! Cinge um muro de rochedos Seus flancos. Grosso a espumar Contra a dura penedia, Bate, arrebenta, assobia, Retumba, estrondeia o mar. Em circuito, o Horror impera; No centro, abrindo a cratera Flagrante, arroja um volcão Ígnea blasfêmia às alturas... E, nas ínvias espessuras, Brame o tigre, urra o leão. Aqui chora, aqui, proscrita, Clama e desespera aflita A alma de si mesma algoz, Buscando na imensa plaga, Entre mil vagas, a vaga, Que neste exílio a depôs. Se a vida a prende à matéria, Fora desta, a alma, sidérea, Radia em pleno candor; O corpo, escravo dos vícios, É que teme os precipícios, Que este mar cava em redor. No azul eterno ela busca, No azul, cujo brilho a ofusca, Pairar, incendida ao sol, Despindo a crusta vil, onde Se esconde, como se esconde A lesma em seu caracol. Contempla o infinito ... Um bando De gerifaltos voando Passou, desapareceu No éter azul, na água verde... E onde esse bando se perde, seu longo olhar se perde... Contempla o mar, silenciosa: Ora mansa, ora raivosa, Vai e vem a onda minaz, E entre as pontas do arrecife, Às vezes leva um esquife, Às vezes um berço traz. Contempla, de olhos magoados, Tudo... Muitos degredados Findo o seu degredo têm; Vão-se na onda intumescida Da Morte, mas na da Vida, Novos degredados vêm. Ó alma contemplativa ! Vem já, decumana e altiva, Entre as ondas talvez, A que, no supremo esforço Da morte, em seu frio dorso, Te leve ao largo, outra vez. Quanto esplendor! São aquelas As regiões de luz, que anelas, Rompe os rígidos grilhões, Com que à Carne de agrilhoa O instinto vital! E voa, e voa àquelas regiões!...
Mil-Frases Mil-Frases · hace 3 años
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Raimundo Correia
29 posts
Raimundo da Mota ...
"O poema "Ondas" de Raimundo Correia retrata a imensidão e a força do mar, comparando-o a um lugar de degredos e horrores. A alma do poeta busca na vastidão do oceano uma forma de libertação e transcendência. Através de uma linguagem poética intensa e ima