“Os galos cantam e estou bebedíssimo. Não fiz <i> </i> nada da vida senão tê-la. Mal amei, bebi bem, sonhei muitíssimo. Minha intenção não foi a minha estrela. Os galos cantam e...
— Álvaro de Campos
Os galos cantam e estou bebedíssimo.
Os galos cantam e estou bebedíssimo.
Não fiz <i> </i> nada da vida senão tê-la.
Mal amei, bebi bem, sonhei muitíssimo.
Minha intenção não foi a minha estrela.
Os galos cantam e eu cada vez mais
Absorto no disperso que o álcool dá.
Curara-me talvez a vida, ou sais,
Ou poder crer, ou desejar o que há.
Cantam tantos tão galos que me irrita
Que a noite que ainda dura possa ser.
Mas virá o dia, e, ao fim da parte escrita,
A morte marra e eu deixo-me colher.
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Este poema de Álvaro de Campos retrata um estado de embriaguez e desilusão. O eu lírico expressa uma vida vazia, marcada pelo excesso de álcool e pela falta de realizações. Os galos cantando simbolizam a chegada de um novo dia, trazendo consigo a inevitab
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