“Hoje, que sinto nada a vontade, e não sei que dizer, Hoje, que tenho a inteligência sem saber o que querer, Quero escrever o meu epitáfio: Álvaro de Campos jaz Aqui, o resto a Anto...
— Álvaro de Campos
P-HÁ
Hoje, que sinto nada a vontade, e não sei que dizer,
Hoje, que tenho a inteligência sem saber o que querer,
Quero escrever o meu epitáfio: Álvaro de Campos jaz
Aqui, o resto a Antologia grega traz...
E a que propósito vem este bocado de rimas?
Nada... Um amigo meu, chamado (suponho) Simas,
Perguntou-me na rua o que é que estava a fazer,
E escrevo estes versos assim em vez de lho não saber dizer.
É raro eu rimar, e é raro alguém rimar com juízo.
Mas às vezes rimar é preciso.
Meu coração faz pá como um saco de papel socado
Com força, cheio de sopro, contra a parede do lado.
E o transeunte, num sobressalto, volta-se de repente
E eu acabo este poema indeterminadamente.
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"P-HÁ" é um poema de Álvaro de Campos que retrata a sensação de desconforto e falta de inspiração do poeta. Neste poema, o eu lírico expressa a sua incapacidade de encontrar palavras para descrever o que sente, recorrendo à ideia de escrever o seu próprio
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