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Eu, o ritmista febril
Para quem o parágrafo de versos é uma pessoa inteira,
Para quem, por baixo da metáfora aparente,
Como em estrofe, anti-estrofe, epodo o poema que escrevo,
Que por detrás do delírio construo
Que por detrás de sentir penso
Que amo, expludo, rujo, com ordem e oculta medida,
Eu ante ti quereria ter menos de engenheiro na alma,
Menos de grego das máquinas, de Bacante de Apolo
Nos meus momentos de alma multiplicados em verso.

Mas o ar do mar alto
Chega, por um influxo de dentro do meu sangue
Ao meu cérebro desterrado em terra,
E a fúria com que medito, a raiva com que me domino
Abre-se como uma vela, tomada de vento, aos ares
Ampla servidão ao rasgo de assombro dos (...)

PASSAGEM DAS HORAS OU WALT WHITMAN Eu, o ritmista febril Para quem o parágrafo de versos é uma pessoa inteira, Para quem, por baixo da metáfora aparente, Como em estrofe, anti-est...

— Álvaro de Campos

PASSAGEM DAS HORAS OU WALT WHITMAN

PASSAGEM DAS HORAS OU WALT WHITMAN Eu, o ritmista febril Para quem o parágrafo de versos é uma pessoa inteira, Para quem, por baixo da metáfora aparente, Como em estrofe, anti-estrofe, epodo o poema que escrevo, Que por detrás do delírio construo Que por detrás de sentir penso Que amo, expludo, rujo, com ordem e oculta medida, Eu ante ti quereria ter menos de engenheiro na alma, Menos de grego das máquinas, de Bacante de Apolo Nos meus momentos de alma multiplicados em verso. Mas o ar do mar alto Chega, por um influxo de dentro do meu sangue Ao meu cérebro desterrado em terra, E a fúria com que medito, a raiva com que me domino Abre-se como uma vela, tomada de vento, aos ares Ampla servidão ao rasgo de assombro dos (...)
Mil-Frases Mil-Frases · hace 3 años
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Álvaro de Campos
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O Poeta Álvaro de...
"Passagem das Horas ou Walt Whitman" é um poema intenso e vibrante, escrito por Álvaro de Campos. O poeta expressa sua paixão pela escrita e pela criação poética, revelando-se como um ritmista febril. Ele deseja ter menos da racionalidade de um engenheiro