An image with the following quote Quando perderes o gosto humilde da tristeza,

Quando, nas horas melancólicas do dia,

Não ouvires mais os lábios da sombra

Murmurarem ao teu ouvido

As palavras de voluptuosa beleza

Ou de casta sabedoria;


Quando a tua tristeza não for mais que amargura,

Quando perderes todo estímulo e toda crença,

— A fé no bem e na virtude,

A confiança nos teus amigos e na tua amante,

Quando o próprio dia se te mudar em noite escura

De desconsolação e malquerença;


Quando, na agonia de tudo o que passa

Ante os olhos imóveis do infinito,

Na dor de ver murcharem as rosas,


E como as rosas tudo o que é belo e frágil,

Não sentires em teu ânimo aflito

Crescer a ânsia de vida como uma divina graça:


Quando tiveres inveja, quando o ciúme

Crestar os últimos lírios de tua alma desvirginada;

Quando em teus olhos áridos

Estancarem-se as fontes das suaves lágrimas

Em que se amorteceu o pecaminoso lume

De tua inquieta mocidade:


Então sorri pela última vez, tristemente,

À tudo o que outrora

Amaste. Sorri tristemente...

Sorri mansamente... em um sorriso pálido... pálido

Como o beijo religioso que puseste

Na fronte morta de tua mãe... sobre a sua fronte morta...

Quando perderes o gosto humilde da tristeza, Quando, nas horas melancólicas do dia, Não ouvires mais os lábios da sombra Murmurarem ao teu ouvido As palavras de voluptuosa bele...

— Manuel Bandeira

Quando Perderes o Gosto Humilde da Tristeza...

Quando perderes o gosto humilde da tristeza, Quando, nas horas melancólicas do dia, Não ouvires mais os lábios da sombra Murmurarem ao teu ouvido As palavras de voluptuosa beleza Ou de casta sabedoria; Quando a tua tristeza não for mais que amargura, Quando perderes todo estímulo e toda crença, — A fé no bem e na virtude, A confiança nos teus amigos e na tua amante, Quando o próprio dia se te mudar em noite escura De desconsolação e malquerença; Quando, na agonia de tudo o que passa Ante os olhos imóveis do infinito, Na dor de ver murcharem as rosas, E como as rosas tudo o que é belo e frágil, Não sentires em teu ânimo aflito Crescer a ânsia de vida como uma divina graça: Quando tiveres inveja, quando o ciúme Crestar os últimos lírios de tua alma desvirginada; Quando em teus olhos áridos Estancarem-se as fontes das suaves lágrimas Em que se amorteceu o pecaminoso lume De tua inquieta mocidade: Então sorri pela última vez, tristemente, À tudo o que outrora Amaste. Sorri tristemente... Sorri mansamente... em um sorriso pálido... pálido Como o beijo religioso que puseste Na fronte morta de tua mãe... sobre a sua fronte morta...
Mil-Frases Mil-Frases · hace 2 años
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Manuel Bandeira
439 posts
A poesia de Bande...
Este poema de Manuel Bandeira retrata a perda do gosto humilde da tristeza e a transformação dessa tristeza em amargura. O poeta descreve a falta de estímulo, crença e confiança, bem como a escuridão que toma conta do dia. Através de metáforas e imagens p