Poema
An image with the following quote Vou-me embora pra Pasárgada.

Lá o rei não será deposto

E lá sou amigo do rei.

Aqui eu não sou feliz

A vida está cada vez

Mais cara, e a menor besteira

Nos custa os olhos da cara.

O trânsito é uma miséria:

Sair a pé pelas ruas

Desta capital cidade

É quase temeridade.

E eu não tenho cadilac

Para em vez de atropelado,

Atropelar sem piedade

Meus pedestres semelhantes.

Oh! que saudade que eu tenho

Do Rio como era dantes!

O Rio que tinha apenas

Quinhentos mil habitantes.

O Rio que conheci

Quando vim prá cá menino:

Meu velho Rio gostoso,

Cujos dias revivi

Lendo deliciadamente

O livro de Coaraci.

Cidade onde, rico ou pobre

Dava gosto se viver.

Hoje ninguém está contente.

Hoje, meu Deus, todo mundo

Traz na boca a cinza amarga

Da frustração... Minha gente,

Vou-me embora pra Pasárgada.

Vou-me embora pra Pasárgada. Lá o rei não será deposto E lá sou amigo do rei. Aqui eu não sou feliz A vida está cada vez Mais cara, e a menor besteira Nos custa os olhos da c...

— Manuel Bandeira

Saudades do Rio Antigo

Vou-me embora pra Pasárgada. Lá o rei não será deposto E lá sou amigo do rei. Aqui eu não sou feliz A vida está cada vez Mais cara, e a menor besteira Nos custa os olhos da cara. O trânsito é uma miséria: Sair a pé pelas ruas Desta capital cidade É quase temeridade. E eu não tenho cadilac Para em vez de atropelado, Atropelar sem piedade Meus pedestres semelhantes. Oh! que saudade que eu tenho Do Rio como era dantes! O Rio que tinha apenas Quinhentos mil habitantes. O Rio que conheci Quando vim prá cá menino: Meu velho Rio gostoso, Cujos dias revivi Lendo deliciadamente O livro de Coaraci. Cidade onde, rico ou pobre Dava gosto se viver. Hoje ninguém está contente. Hoje, meu Deus, todo mundo Traz na boca a cinza amarga Da frustração... Minha gente, Vou-me embora pra Pasárgada.
Mil-Frases Mil-Frases · hace 2 años
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Saudades do Rio Antigo" é um poema nostálgico de Manuel Bandeira, onde o poeta expressa sua saudade da cidade do Rio de Janeiro como era antigamente. Ele descreve a Pasárgada como um lugar ideal, onde o rei não é deposto e ele é amigo do rei. O poema ret