“Se as penas com que Amor tão mal me trata Permitirem que eu tanto viva delas, Que veja escuro o lume das estrelas, Em cuja vista o meu se acende e mata; E se o tempo, que tudo des...
— Luís Vaz de Camões
Se as penas com que Amor tão mal me trata
Se as penas com que Amor tão mal me trata
Permitirem que eu tanto viva delas,
Que veja escuro o lume das estrelas,
Em cuja vista o meu se acende e mata;
E se o tempo, que tudo desbarata
Secar as frescas rosas sem colhê-las,
Mostrando a linda cor das tranças belas
Mudada de ouro fino em bela prata;
Vereis, Senhora, então também mudado
O pensamento e aspereza vossa,
Quando não sirva já sua mudança.
Suspirareis então pelo passado,
Em tempo quando executar-se possa
Em vosso arrepender minha vingança.
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Este poema de Luís Vaz de Camões expressa a dor e o sofrimento causados pelo amor não correspondido. O eu lírico descreve a intensidade das suas penas e a sua esperança de que um dia a amada também sinta a mudança e o arrependimento.
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