An image with the following quote Bateram à minha porta,

Fui abrir, não vi ninguém.

Seria a alma da morta?


Não vi ninguém, mas alguém

Entrou no quarto deserto

E o quarto logo mudou.

Deitei-me na cama, e perto

Da cama alguém se sentou.


Seria a sombra da morta?

Que morta? A inocência? A infância?

O que concebido, abortou,

Ou o que foi e hoje é só distância?


Pois bendita a que voltou!

Três vezes bendita a morta,

Quem quer que ela seja, a morta

Que bateu à minha porta.


Rio, dezembro de 1947

Bateram à minha porta, Fui abrir, não vi ninguém. Seria a alma da morta? Não vi ninguém, mas alguém Entrou no quarto deserto E o quarto logo mudou. Deitei-me na cama, e pert...

— Manuel Bandeira

Visita Noturna

Bateram à minha porta, Fui abrir, não vi ninguém. Seria a alma da morta? Não vi ninguém, mas alguém Entrou no quarto deserto E o quarto logo mudou. Deitei-me na cama, e perto Da cama alguém se sentou. Seria a sombra da morta? Que morta? A inocência? A infância? O que concebido, abortou, Ou o que foi e hoje é só distância? Pois bendita a que voltou! Três vezes bendita a morta, Quem quer que ela seja, a morta Que bateu à minha porta. Rio, dezembro de 1947
Mil-Frases Mil-Frases · hace 2 años
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Manuel Bandeira
439 posts
A poesia de Bande...
"Visita Noturna" é um poema enigmático e misterioso de Manuel Bandeira. O poeta relata a experiência de alguém que ouve batidas na porta, mas ao abrir, não encontra ninguém. No entanto, sente a presença de alguém no quarto vazio. O poema levanta questões