“Vou em mim como entre bosques Vou-me fazendo paisagem Para me desconhecer. Nos meus sonhos sinto aragem, Nos meus desejos descer Passeio entre arvoredo Nos meandros de quem sinto...
— Fernando Pessoa
Vou em mim como entre bosques,
Vou em mim
como entre bosques
Vou-me fazendo paisagem
Para me desconhecer.
Nos meus sonhos sinto aragem,
Nos meus desejos descer
Passeio entre arvoredo
Nos meandros de quem sinto
Quando sinto sem sentir......
Vaga clareira de instinto
Pinheiral todo a subir....
Sorriso que no regato
Através dos ramos curvos
O sol , espreitando, achou.
Fluir de água, com tons turvos,
Onde uma pedra adensou.
Grande alegria das mágoas
Quando o declive da encosta
Apressa o passo ou querer...
De que é que a minha alma gosta
Ser que eu tenho de saber.
Muita curva, muita coisa
Todas com gentes de fora
Na alma que sinto assim.
Que paisagem, quem se ignora!
Meu Deus, que é feito de mim?
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Este poema de Fernando Pessoa retrata uma jornada interior, onde o eu lírico se transforma em paisagem para se desconhecer. Através de metáforas naturais, como bosques, arvoredo e regato, o poeta expressa a complexidade dos seus sentimentos e a busca por
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