“Este, seu escasso campo ora lavrando, Ora, solene, olhando-o com a vista De quem a um filho olha, goza incerto A não-pensada vida. Das fingidas fronteiras a mudança O arado lh...
— Ricardo Reis
XV - Este, seu escasso campo ora lavrando, [1]
Este, seu escasso campo ora lavrando,
Ora, solene, olhando-o com a vista
De quem a um filho olha, goza incerto
A não-pensada vida.
Das fingidas fronteiras a mudança
O arado lhe não tolhe, nem o empece
Per que concílios se o destino rege
Dos povos pacientes.
Pouco mais no presente do futuro
Que as ervas que arrancou, seguro vive
A antiga vida que não torna, e fica,
Filhos, diversa e sua.
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Este poema de Ricardo Reis retrata a vida simples e incerta de um agricultor, que ora trabalha no seu campo escasso, ora contempla-o com a mesma incerteza com que se olha para um filho. Apesar das limitações impostas pelas fronteiras e pelo destino, o agr
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