“Dói-me quem sou. E em meio da emoção Ergue a fronte de torre um pensamento. É como se na imensa solidão De uma alma a sós consigo, o coração Tivesse cérebro e conhecimento. Numa a...
— Fernando Pessoa
Dói-me quem sou. E em meio da emoção
Dói-me quem sou. E em meio da emoção
Ergue a fronte de torre um pensamento.
É como se na imensa solidão
De uma alma a sós consigo, o coração
Tivesse cérebro e conhecimento.
Numa amargura artificial consisto
Fiel a qualquer ideia que não sei,
Como um fingido cortesão me visto
Dos trajes majestosos em que existo
Para a presença artificial do rei.
Sim, tudo é sonhar quanto sou e quero.
Tudo das mãos caídas se deixou.
Braços dispersos, desolado espero.
Mendigo pelo fim do desespero,
Que quis pedir esmola e não ousou.
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Este poema de Fernando Pessoa expressa uma profunda dor existencial e uma sensação de desconexão com a própria identidade. O eu lírico revela-se como alguém que se sente perdido e deslocado, vivendo uma vida artificial e desesperada. Através de uma lingua
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