Poema
Une image avec la citation suivante Ei-la! Como vai bela! Os esplendores

Do lúbrico Versailles do Rei-Sol

Aumenta-os com retoques sedutores,

É como o refulgir dum arrebol

Em sedas multicolores.


Deita-se com langor no azul celeste

Do seu "landau" forrado de cetim;

E esses negros corcéis, que a espuma veste,

Sobem a trote a rua do Alecrim,

Velozes como a peste.


É fidalga e soberba. As incensadas

Dubarry, Montespan e Maintenon,

Se a vissem ficariam ofuscadas.

Tem a altivez magnética e o bom tom

Das cortes depravadas.


É clara como os "pós à marechala"

E as mãos, que o Jock Clube embalsamou,

Entre peles de tigres as regala;

De tigres que por ela apunhalou,

Um amante, em Bengala.


É ducalmente esplêndida! A carruagem

Vai agora subindo devagar;

Ela, no brilhantismo da equipagem,

Ela, de olhos cerrados, a cismar,

Atrai como a voragem!


Os lacaios vão firmes na almofada;

E a doce brisa dá-lhes de través

Nas capas de borracha esbranquiçada,

Nos chapéus com roseta, e nas librés

De forma aprimorada.


E eu vou acaopanhando-a, corcovado.

No "trottoir", como um doido, em convulsões

Febril, de colarinho amarrotado,

Desejando o lugar dos seus truões,

Sinistro e mal trajado.


E daria, contente e voluntário,

A minha independência e o meu porvir,

Para ser, eu poeta solitário,

Para ser, ó princesa sem sorrir,

Teu pobre trintanário.


E aos almoços magníficos do Mata

Preferiria ir, fardado, aí,

Ostentando galões de velha prata,

E de costas voltadas para ti,

Formosa aristocrata!


Lisboa, 1874

Ei-la! Como vai bela! Os esplendores Do lúbrico Versailles do Rei-Sol Aumenta-os com retoques sedutores, É como o refulgir dum arrebol Em sedas multicolores. Deita-se com lan...

— Cesário Verde

Esplêndida

Ei-la! Como vai bela! Os esplendores Do lúbrico Versailles do Rei-Sol Aumenta-os com retoques sedutores, É como o refulgir dum arrebol Em sedas multicolores. Deita-se com langor no azul celeste Do seu "landau" forrado de cetim; E esses negros corcéis, que a espuma veste, Sobem a trote a rua do Alecrim, Velozes como a peste. É fidalga e soberba. As incensadas Dubarry, Montespan e Maintenon, Se a vissem ficariam ofuscadas. Tem a altivez magnética e o bom tom Das cortes depravadas. É clara como os "pós à marechala" E as mãos, que o Jock Clube embalsamou, Entre peles de tigres as regala; De tigres que por ela apunhalou, Um amante, em Bengala. É ducalmente esplêndida! A carruagem Vai agora subindo devagar; Ela, no brilhantismo da equipagem, Ela, de olhos cerrados, a cismar, Atrai como a voragem! Os lacaios vão firmes na almofada; E a doce brisa dá-lhes de través Nas capas de borracha esbranquiçada, Nos chapéus com roseta, e nas librés De forma aprimorada. E eu vou acaopanhando-a, corcovado. No "trottoir", como um doido, em convulsões Febril, de colarinho amarrotado, Desejando o lugar dos seus truões, Sinistro e mal trajado. E daria, contente e voluntário, A minha independência e o meu porvir, Para ser, eu poeta solitário, Para ser, ó princesa sem sorrir, Teu pobre trintanário. E aos almoços magníficos do Mata Preferiria ir, fardado, aí, Ostentando galões de velha prata, E de costas voltadas para ti, Formosa aristocrata! Lisboa, 1874
Mil-Frases Mil-Frases · il y a 2 ans
0 Curtida
0 Comentário
0 Partilhas

Comentário

Seja o primeiro a comentar.
Cesário Verde
8 posts
José Joaquim Cesá...
"Esplêndida" é um poema de Cesário Verde que retrata a figura de uma mulher aristocrática e sedutora. O poema descreve a sua beleza e elegância, comparando-a aos esplendores de Versailles. Através de imagens vívidas e detalhadas, o poema transmite a altiv