“Minha mulher, a solidão, Consegue que eu não seja triste. Ah, que bom é ao coração Ter este bem que não existe! Recolho a não ouvir ninguém, Não sofro o insulto de um carinho E fa...
— Fernando Pessoa
Minha mulher, a solidão,
Minha mulher, a solidão,
Consegue que eu não seja triste.
Ah, que bom é ao coração
Ter este bem que não existe!
Recolho a não ouvir ninguém,
Não sofro o insulto de um carinho
E falo alto sem que haja alguém:
Nascem-me os versos do caminho.
Senhor, se há bem que o céu conceda
Submisso à opressão do Fado,
Dá-me eu ser só – veste de seda –,
E fala só – leque animado.
27/08/1930
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Este poema de Fernando Pessoa, intitulado "Minha mulher, a solidão", retrata a solidão como uma companheira que impede o poeta de sentir tristeza. O eu lírico encontra conforto na ausência de interações e se expressa livremente através da poesia. O poema
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