“Na margem verde da estrada Os malmequeres são meus. Já trago a alma cansada – Não é disso... é de Deus. Se Deus me quisesse dá-la Havia de achar maneira... A estrada de cá da vala...
— Fernando Pessoa
Na margem verde da estrada
Na margem verde da estrada
Os malmequeres são meus.
Já trago a alma cansada –
Não é disso... é de Deus.
Se Deus me quisesse dá-la
Havia de achar maneira...
A estrada de cá da vala
Tem malmequeres à beira.
Se os quero, colho-os, e tenho
Cuidado com os partir.
Cada um que vejo e apanho
Dá um estalinho ao sair.
São malmequeres aos molhos,
Iguaizinhos para ver.
E nem põe neles os olhos,
Dá a mão pra os receber.
Não é esmola que envergonhe,
Nem coisa dada sem mais.
É pra que a menina os ponha
Onde o peito faz sinais.
Tirei-os do campo ao lado
Para a menina os trazer...
E nem me mostra o agrado
De um olhar para me ver...
É assim a minha sina.
Tirei-os de onde iam bem,
Só para os dar à menina –
E agradeceu-me a ninguém.
31/08/1930
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Este poema de Fernando Pessoa, intitulado "Na margem verde da estrada", retrata a simplicidade e a beleza dos malmequeres. O eu lírico expressa sua alma cansada, mas não é disso que se trata, é de Deus. O poema transmite a ideia de que, se Deus quisesse d
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