“Quem fui é externo a mim. Se lembro, vejo; E ver é ser alheio. Meu passado Só por visão relembro. Aquilo mesmo que senti me é claro. Alheia é a alma antiga; o que me sinto Ch...
— Ricardo Reis
Quem fui é externo a mim. Se lembro, vejo;
Quem fui é externo a mim. Se lembro, vejo;
E ver é ser alheio. Meu passado
Só por visão relembro.
Aquilo mesmo que senti me é claro.
Alheia é a alma antiga; o que me sinto
Chegou hoje à estalagem.
Quem pode conhecer, entre tanto erro
De modos de sentir-se, a exacta forma
Que tem para consigo?
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Este poema de Ricardo Reis reflete sobre a natureza fugaz do passado e a dificuldade de compreender a própria identidade. O eu lírico reconhece que o que foi vivido está fora de si, apenas acessível através da memória. A alma antiga é estranha, e o que o
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