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Há quanto tempo não escrevo um soneto.
Mas não importa: escrevo este agora.
Sonetos são infância, e, nesta hora,
A minha infância é só um ponto preto,

Que num imóvel e fatal trajecto
Do comboio que sou me deita fora.
E o soneto é como alguém que mora
Há dois dias em tudo que projecto.

Graças a Deus, ainda sei que há
Catorze linhas a cumprir iguais
Para a gente saber onde é que está...

Mas onde a gente está, ou eu, não sei...
Não quero saber mais de nada mais
E berdamerda para o que saberei.

REGRESSO AO LAR (END OF THE BOOK) Há quanto tempo não escrevo um soneto. Mas não importa: escrevo este agora. Sonetos são infância, e, nesta hora, A minha infância é só um ponto p...

— Álvaro de Campos

REGRESSO AO LAR

REGRESSO AO LAR (END OF THE BOOK) Há quanto tempo não escrevo um soneto. Mas não importa: escrevo este agora. Sonetos são infância, e, nesta hora, A minha infância é só um ponto preto, Que num imóvel e fatal trajecto Do comboio que sou me deita fora. E o soneto é como alguém que mora Há dois dias em tudo que projecto. Graças a Deus, ainda sei que há Catorze linhas a cumprir iguais Para a gente saber onde é que está... Mas onde a gente está, ou eu, não sei... Não quero saber mais de nada mais E berdamerda para o que saberei.
Mil-Frases Mil-Frases · il y a 3 ans
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Álvaro de Campos
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O Poeta Álvaro de...
"Regresso ao Lar" é um poema de Álvaro de Campos que retrata a nostalgia da infância perdida e a sensação de desorientação e desapego do eu lírico em relação ao seu próprio percurso de vida. Através da forma do soneto, o poeta expressa a busca por uma est