“Sem clepsidra ou relógio o tempo escorre E nós com ele, nada o árbitro escravo Pode contra o destino Nem contra os deuses o mortal desejo Hoje, quais servos com ausentes deuses...
— Ricardo Reis
Sem clepsidra ou relógio o tempo escorre
Sem clepsidra ou relógio o tempo escorre
E nós com ele, nada o árbitro escravo
Pode contra o destino
Nem contra os deuses o mortal desejo
Hoje, quais servos com ausentes deuses,
Na alheia casa, um dia sem o juiz,
Bebamos e comamos.
Será para amanhã o que aconteça.
Tombai mancebos, o vinho em nobre taça
E o braço nu com que o entornais fique
No lembrando olhar
Como uma água que parece vinho!
Sim, heróis somos todos amanhã.
Hoje adiemos. E na erguida taça
O roxo vinho espelhe
Depois — porque a noite nunca falta.
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Este poema de Ricardo Reis reflete sobre a passagem do tempo e a inevitabilidade do destino. O eu lírico reconhece a impotência do ser humano diante do tempo e dos deuses, e sugere aproveitar o presente, adiando as preocupações para o futuro. A imagem do
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