“Súbdito inútil de astros dominantes, Passageiros como eu, vivo uma vida Que não quero nem amo, Minha porque sou ela, No ergástulo de ser quem sou, contudo, De em mim pensar m...
— Ricardo Reis
Súbdito inútil de astros dominantes,
Súbdito inútil de astros dominantes,
Passageiros como eu, vivo uma vida
Que não quero nem amo,
Minha porque sou ela,
No ergástulo de ser quem sou, contudo,
De em mim pensar me livro, olhando no alto
Os astros que dominam
Submissos de os ver brilhar.
Vastidão vã que finge de infinito
(Como se o infinito se pudesse ver!) –
Dá-me ela a liberdade?
Como, se ela a não tem?
19/11/1933
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Este poema de Ricardo Reis retrata a sensação de ser um submisso inútil diante dos astros dominantes. O eu lírico vive uma vida que não quer nem ama, mas que é sua por ser ele mesmo. Apesar de estar aprisionado em sua própria existência, consegue se liber
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