Une image avec la citation suivante O que não tenho e desejo

É que melhor me enriquece.

Tive uns dinheiros — perdi-os...

Tive amores — esqueci-os.

Mas no maior desespero

Rezei: ganhei essa prece.


Vi terras da minha terra.

Por outras terras andei.

Mas o que ficou marcado

No meu olhar fatigado,

Foram terras que inventei.


Gosto muito de crianças:

Não tive um filho de meu.

Um filho!... Não foi de jeito...

Mas trago dentro do peito

Meu filho que não nasceu.


Criou-me desde eu menino,

Para arquiteto meu pai.

Foi-se-me um dia a saúde...

Fiz-me arquiteto? Não pude!

Sou poeta menor, perdoai!


Não faço versos de guerra.

Não faço porque não sei.

Mas num torpedo-suicida

Darei de bom grado a vida

Na luta em que não lutei!


25 de janeiro de 1943

O que não tenho e desejo É que melhor me enriquece. Tive uns dinheiros — perdi-os... Tive amores — esqueci-os. Mas no maior desespero Rezei: ganhei essa prece. Vi terras da...

— Manuel Bandeira

Testamento

O que não tenho e desejo É que melhor me enriquece. Tive uns dinheiros — perdi-os... Tive amores — esqueci-os. Mas no maior desespero Rezei: ganhei essa prece. Vi terras da minha terra. Por outras terras andei. Mas o que ficou marcado No meu olhar fatigado, Foram terras que inventei. Gosto muito de crianças: Não tive um filho de meu. Um filho!... Não foi de jeito... Mas trago dentro do peito Meu filho que não nasceu. Criou-me desde eu menino, Para arquiteto meu pai. Foi-se-me um dia a saúde... Fiz-me arquiteto? Não pude! Sou poeta menor, perdoai! Não faço versos de guerra. Não faço porque não sei. Mas num torpedo-suicida Darei de bom grado a vida Na luta em que não lutei! 25 de janeiro de 1943
Mil-Frases Mil-Frases · il y a 2 ans
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Manuel Bandeira
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A poesia de Bande...
"Testamento" é um poema de Manuel Bandeira que expressa a busca por aquilo que o poeta não possui, mas que o enriquece. O eu lírico reflete sobre as perdas e esquecimentos ao longo da vida, mas encontra consolo na oração. O poema também aborda a imaginaçã