Une image avec la citation suivante Tirem-me os deuses

Em seu arbítrio

Superior e urdido às escondidas

O Amor, glória e riqueza.


Tirem, mas deixem-me,

Deixem-me apenas

A consciência lúcida e solene

Das coisas e dos seres.


Pouco me importa

Amor ou glória.

A riqueza é um metal, a glória é um eco

E o amor uma sombra.


Mas a concisa

Atenção dada

Às formas e às maneiras dos objectos

Tem abrigo seguro.


Seus fundamentos

São todo o mundo,

Seu amor é o plácido Universo,

Sua riqueza a vida.


A sua glória

É a suprema

Certeza da solene e clara posse

Das formas dos objectos.


O resto  passa,

E teme a morte.

Só nada teme ou sofre a visão clara

E inútil do Universo.


Essa a si basta,

Nada deseja

Salvo o orgulho de ver sempre claro

Até deixar de ver.



06/06/1915

Tirem-me os deuses Em seu arbítrio Superior e urdido às escondidas O Amor, glória e riqueza. Tirem, mas deixem-me, Deixem-me apenas A consciência lúcida e solene Das coisas...

— Ricardo Reis

Tirem-me os deuses

Tirem-me os deuses Em seu arbítrio Superior e urdido às escondidas O Amor, glória e riqueza. Tirem, mas deixem-me, Deixem-me apenas A consciência lúcida e solene Das coisas e dos seres. Pouco me importa Amor ou glória. A riqueza é um metal, a glória é um eco E o amor uma sombra. Mas a concisa Atenção dada Às formas e às maneiras dos objectos Tem abrigo seguro. Seus fundamentos São todo o mundo, Seu amor é o plácido Universo, Sua riqueza a vida. A sua glória É a suprema Certeza da solene e clara posse Das formas dos objectos. O resto passa, E teme a morte. Só nada teme ou sofre a visão clara E inútil do Universo. Essa a si basta, Nada deseja Salvo o orgulho de ver sempre claro Até deixar de ver. 06/06/1915
Mil-Frases Mil-Frases · il y a 3 ans
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Ricardo Reis
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Ricardo Reis, um ...
Este poema de Ricardo Reis, intitulado "Tirem-me os deuses", reflete sobre a insignificância do amor, da glória e da riqueza em comparação com a consciência lúcida e solene das coisas e dos seres. O poeta valoriza a atenção dada às formas e maneiras dos o