“Temo, Lídia, o destino. Nada é certo. Em qualquer hora pode suceder-nos O que nos tudo mude. Fora do conhecido é estranho o passo Que próprio damos. Graves numes guardam As li...
— Ricardo Reis
XI - Temo, Lídia, o destino. Nada é certo.
Temo, Lídia, o destino. Nada é certo.
Em qualquer hora pode suceder-nos
O que nos tudo mude.
Fora do conhecido é estranho o passo
Que próprio damos. Graves numes guardam
As lindas do que é uso.
Não somos deuses; cegos, receemos,
E a parca dada vida anteponhamos
À novidade, abismo.
(Athena, nº 1, Outubro de 1924)
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Este poema de Ricardo Reis expressa o medo do destino e a incerteza que permeia a vida. O eu lírico teme que a qualquer momento algo possa acontecer e mudar tudo. Ele reconhece a estranheza do desconhecido e a importância de valorizar a vida que lhe foi d
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