Uma imagem com a seguinte frase The flow and ebb of each recurring age.
BYRON

Triste lição de experiência deixam
Os evos no passar, e os mesmos atos
Renovados sem fim por muitos povos,
Sob nomes diversos se encadeiam:
Aqui, além, agora ou no passado,
Amor, dedicação, virtude e glória,
Baixeza, crime, infâmia se repetem,
Quer gravados no soco de uma estátua,
Quer em vil pelourinho memorados.
Eis a história! — rainha veneranda,
Trajando agora sedas e veludos,
Depois vestindo um saco desprezível,
D'imunda cinza apolvilhada a fronte.
Se as virtudes do pobre não têm preço,
Também dos vícios seus a nódoa exígua
Não conspurca as nações; mas ai dos grandes,
Que trilham senda errada, a cujo termo
Se levanta a barreira do sepulcro,
Onde se quebra a adulação sem força.
Se virtuoso, as gerações passando
As cinzas lhe beijaram; se malvado,
Cospem-lhe afrontas na vaidosa campa,
Jamais de amigas lágrimas molhada.
E qual do Egito nos festins funéreos,
Maldizem bons e maus sua memória,
Lançando à face da real mumia
Dos crimes seus a lacrimosa história.
Talvez, porém, um infortúnio grande,
Um exemplo sublime de virtude,
Cobre dourada página, que aos olhos
Pranto consolador sem custo arranca.
Eis a história! um espelho do passado,
Folhas do livro eterno desdobradas
Aos olhos dos mortais; — aqui sem mancha,
Além golfeja sangue e sua crimes.
Tal foi, tal é: retrato desbotado,
Onde se mira a geração que passa,
Sem cor, sem vida, — e ao mesmo tempo espelho,
Que há de ser nova cópia à gente nova,
Como os anos aos anos se sucedam.
Ondas de mar sereno ou tormentoso,
As mesmas na aparência, que se quebram
Sobre as d'areia flutuantes praias.

Publicado no livro Últimos Cantos (1851). Poema integrante da série Poesias Diversas.

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Francisco José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.

The flow and ebb of each recurring age. BYRON Triste lição de experiência deixam Os evos no passar, e os mesmos atos Renovados sem fim por muitos povos, Sob nomes diversos se enca...

— Gonçalves Dias

A História

The flow and ebb of each recurring age. BYRON Triste lição de experiência deixam Os evos no passar, e os mesmos atos Renovados sem fim por muitos povos, Sob nomes diversos se encadeiam: Aqui, além, agora ou no passado, Amor, dedicação, virtude e glória, Baixeza, crime, infâmia se repetem, Quer gravados no soco de uma estátua, Quer em vil pelourinho memorados. Eis a história! — rainha veneranda, Trajando agora sedas e veludos, Depois vestindo um saco desprezível, D'imunda cinza apolvilhada a fronte. Se as virtudes do pobre não têm preço, Também dos vícios seus a nódoa exígua Não conspurca as nações; mas ai dos grandes, Que trilham senda errada, a cujo termo Se levanta a barreira do sepulcro, Onde se quebra a adulação sem força. Se virtuoso, as gerações passando As cinzas lhe beijaram; se malvado, Cospem-lhe afrontas na vaidosa campa, Jamais de amigas lágrimas molhada. E qual do Egito nos festins funéreos, Maldizem bons e maus sua memória, Lançando à face da real mumia Dos crimes seus a lacrimosa história. Talvez, porém, um infortúnio grande, Um exemplo sublime de virtude, Cobre dourada página, que aos olhos Pranto consolador sem custo arranca. Eis a história! um espelho do passado, Folhas do livro eterno desdobradas Aos olhos dos mortais; — aqui sem mancha, Além golfeja sangue e sua crimes. Tal foi, tal é: retrato desbotado, Onde se mira a geração que passa, Sem cor, sem vida, — e ao mesmo tempo espelho, Que há de ser nova cópia à gente nova, Como os anos aos anos se sucedam. Ondas de mar sereno ou tormentoso, As mesmas na aparência, que se quebram Sobre as d'areia flutuantes praias. Publicado no livro Últimos Cantos (1851). Poema integrante da série Poesias Diversas. In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Francisco José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
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Gonçalves Dias
30 posts
Antônio Gonçalves...
"A História" é um poema de Gonçalves Dias que reflete sobre a natureza cíclica da história humana. O poeta descreve como os mesmos atos e eventos se repetem ao longo do tempo, sob diferentes nomes e em diferentes épocas. Ele destaca a dualidade da históri

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