Uma imagem com a seguinte frase Hermosa, en tu linda frente
El laurel sienta mejor,
Que con su regio esplendor,
Corona de rey potente.
G. y S.

Há duas c'roas na terra,
Uma d'ouro cintilante
Com esmalte de diamante,
Na fronte do que é senhor;
Outra modesta e singela,
C'roa de meiga poesia,
Que a fronte ao vate alumia
Com a luz dum resplendor.

Ante a primeira se curvam
Os potentados da terra:
No bojo, que a morte encerra,
Sobre a líquida extensão,
Levam naus os seus ditames
Da peleja entre os horrores;
Vis escravos, crus senhores,
Preito e menagem lhe dão.

E quando o vate suspira
Sobre esta terra maldita,
Ninguém a voz lhe acredita,
Mas riem dos cantos seus:
Os anjos, não; porque sabem
Que essa voz é verdadeira,
Que é dos homens a primeira,
Enquanto a outra é de Deus!

Se eu fora rei, não te dera
Quinhão na régia amargura;
Nem te qu'ria, virgem pura,
Sentada sob o dossel,
Onde a dor tão viva anseia,
Tão cruel, tão funda late,
Como no peito que bate
Sob as dobras do burel.

Não te quisera no trono,
Onde a máscara do rosto,
Cobrindo o interno desgosto,
Ser alegre tem por lei;
Manda Deus, sim, que o rei chore;
Mas que chore ocultamente,
Porque, se o soubera a gente,
Ninguém quisera ser rei!

Mas o vate, quando sofre,
Modula em meigos acentos,
Seus doridos pensamentos,
A sua interna aflição;
E das lágrimas choradas
Extrai um bálsamo santo,
Que vale estancar o pranto
Nos olhos do seu irmão.

(...)

Publicado no livro Últimos Cantos (1851). Poema integrante da série Poesias Diversas.

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.

Hermosa, en tu linda frente El laurel sienta mejor, Que con su regio esplendor, Corona de rey potente. G. y S. Há duas c'roas na terra, Uma d'ouro cintilante Com esmalte de diaman...

— Gonçalves Dias

As Duas Coroas

Hermosa, en tu linda frente El laurel sienta mejor, Que con su regio esplendor, Corona de rey potente. G. y S. Há duas c'roas na terra, Uma d'ouro cintilante Com esmalte de diamante, Na fronte do que é senhor; Outra modesta e singela, C'roa de meiga poesia, Que a fronte ao vate alumia Com a luz dum resplendor. Ante a primeira se curvam Os potentados da terra: No bojo, que a morte encerra, Sobre a líquida extensão, Levam naus os seus ditames Da peleja entre os horrores; Vis escravos, crus senhores, Preito e menagem lhe dão. E quando o vate suspira Sobre esta terra maldita, Ninguém a voz lhe acredita, Mas riem dos cantos seus: Os anjos, não; porque sabem Que essa voz é verdadeira, Que é dos homens a primeira, Enquanto a outra é de Deus! Se eu fora rei, não te dera Quinhão na régia amargura; Nem te qu'ria, virgem pura, Sentada sob o dossel, Onde a dor tão viva anseia, Tão cruel, tão funda late, Como no peito que bate Sob as dobras do burel. Não te quisera no trono, Onde a máscara do rosto, Cobrindo o interno desgosto, Ser alegre tem por lei; Manda Deus, sim, que o rei chore; Mas que chore ocultamente, Porque, se o soubera a gente, Ninguém quisera ser rei! Mas o vate, quando sofre, Modula em meigos acentos, Seus doridos pensamentos, A sua interna aflição; E das lágrimas choradas Extrai um bálsamo santo, Que vale estancar o pranto Nos olhos do seu irmão. (...) Publicado no livro Últimos Cantos (1851). Poema integrante da série Poesias Diversas. In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.
Mil-Frases Mil-Frases · há 3 anos
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Gonçalves Dias
30 posts
Antônio Gonçalves...
"As Duas Coroas" é um poema de Gonçalves Dias que aborda a dualidade entre a coroa terrena, representada pelo poder e riqueza dos reis, e a coroa poética, simbolizando a beleza e a verdade da poesia. O poeta reflete sobre como os poderosos da terra se cur

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